Mais integrações ou mais completude?

10/09/2015 Por: Leandro Andrade

Um dos principais desafios na implantação de qualquer sistema de gestão de investimentos e riscos é quantidade e a qualidade das integrações entre os diversos sistemas legados que permeiam uma instituição financeira.

Em relação a quantidade, somente para exemplificar e ficarmos no mundo dos assets, estamos falando de um emaranhado de sistemas que vão desde o cadastro de um cotista até o boletador das operações, passando por risco de mercado, enquadramento, PnL, compliance, validação de cotas, dados de mercado e assim por diante.

Em relação a qualidade, quem já implementou um sistema que necessita de integrações com outros fornecedores sabe do desafio de colocar na mesa diversas empresas, com processos e metodologias diferentes. Mesmo que já sejam parceiras em outras instituições, todo projeto é um novo projeto. Quem paga conta? O cliente. Não só pelo custo financeiro, mas pelo tempo de projeto, manutenção das integrações quando as versões mudam e o gerenciamento de diferentes parceiros.

Mudar essa realidade não é algo fácil. Todos sabemos. Ainda mais quando temos que trocar o pneu do carro com ele andando e precisamos de diversas equipes de tecnologia, infraestrutura, usuários. Porém, protelar a situação só faz com que cada vez mais o pneu do carro fique “careca” e aumente o risco de derrapagem.

Na área de tecnologia para o mercado financeiro vemos duas grandes possibilidades para essas situações. Sistemas diferentes mais integrados ou sistemas únicos mais completos.

Sistemas diferentes mais integrados requerem um nível maior de sofisticação e uma mudança de modelo de negócio dos diversos fornecedores, uma vez que vários deles tem parte importante das suas receitas atreladas aos projetos de integrações. Quanto mais projetos, melhor, mais receita. Logo, por mais que um ou dois provedores tenham esse desejo, convencer os outros dez parceiros não é algo rápido no curto prazo. Sem falarmos ainda do desafio tecnológico e o custo para se viabilizar tal empreendimento.

Sistemas únicos mais completos parecem ser um caminho interessante. É evidente que sempre existirão integrações, especialmente com atividades que não estejam no core dos clientes. A grande vantagem de sistemas com apenas uma ou pouca entrada de dados que possa sensibilizar diferentes relatórios, como risco, PnL e compliance é a questão da confiabilidade e redução de custos operacionais.

Em se tratando de grandes volumes de dados, confiabilidade é fundamental para atender aos reguladores e as boas práticas de mercado, diminuindo o risco operacional da instituição. Além da redução de custos operacionais com a manutenção de inúmeras integrações e diversos contratos.

Optando pela segunda alternativa, é importante que os tomadores de decisão se aliem com parceiros com robustez, com experiência comprovada e visão de longo prazo.

Observando movimentos globais nesse mercado, notamos a tendência das instituições em optar por soluções do tipo “one-stop-shop” (sistemas únicos mais completos), pois além de reduzir o custo de gerenciamento de diversos fornecedores com perfis diferentes, garante maior confiabilidade, rastreabilidade e agilidade nos processos, tanto para as áreas de suporte, quanto as de negócio.

Sobre o autor:

Leandro Andrade

Diretor da DLM Private Equity, participa das operações de originação, execução e monitoramento de investimentos, além de coordenar a área de Relacionamento com Investidores. Leandro já foi trader na tesouraria do Banco Bradesco, atuou por quase 7 anos na empresa LUZ Engenharia Financeira, onde foi sócio-diretor e membro do comitê executivo e posteriormente atuou na gestora americana de Private Equity Siguler Guff Leandro obteve seu título de Mestre em Administração (strictu sensu) com distinção pela EAESP-FGV e é graduado em Administração pela USP.

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