Nova Metodologia para a Classificação de Fundos Anbima e os Reflexos no Atlas Risk Hub

23/11/2015 Por: Robson Ramos

Com a sofisticação da indústria de fundos de investimento e a criação de novos produtos nos últimos anos, tornou-se necessária uma nova classificação que se adequasse cada vez melhor à essa nova realidade. Nesse sentido, a ANBIMA desenvolveu um novo modelo capaz de atender os diferentes agentes do mercado, do estrategista ao gestor, passando pelos distribuidores e investidores.

Esta nova classificação busca agregar as diversas opções de carteira oferecidas por meio de fundos de investimento, de acordo com determinadas características do portfólio. Desta forma, a nova classificação leva em consideração as classes de ativos que compõem essa carteira, seus prazos e riscos, além dos estilos e estratégias de gestão. Ao dividir os fundos em tipos ou categorias que expressam objetivos e políticas de investimento similares, a classificação viabiliza a comparabilidade entre os fundos e dos fundos com outras opções de investimento ou benchmarks.

A nova classificação de fundos, a exemplo da prática internacional, está dividida em níveis, apresentando uma hierarquia que parte das classes de ativos para chegar a estratégias mais específicas. Também como é praxe no mercado global, parte da política de investimento dos fundos e busca explicitar da forma mais clara possível as estratégias e riscos associados às opções de carteiras que resultam dessas políticas. Os níveis buscam refletir a lógica do processo de investimento.

No primeiro nível identificamos qual é a classe de ativos mais adequada a ele e é segmentada pelas seguintes classes:

  1. (i) Renda Fixa
  2. (ii) Ações
  3. (iii) Multimercados
  4. (iv) Cambial.

O segundo nível estimula a reflexão sobre quais são os riscos que o investidor estaria disposto a correr, por exemplo:

  1. (i) Indexados
  2. (ii) Ativos
  3. (iii) Investimentos no Exterior
  4. (iv) Entre outros

Por fim, o terceiro nível, é possível avaliar as estratégias que melhor se adequam às necessidades e objetivos específicos do investidor.

Essa hierarquia cria um caminho que orienta a decisão e conduz ao maior alinhamento entre os anseios do investidor e os produtos disponíveis para ele. O primeiro nível da classificação ANBIMA reflete as classes definidas pela CVM por meio da Instrução nº 555/14. O segundo nível busca explicitar o tipo de gestão e os riscos a ele associados, fazendo, sempre que possível, a analogia com gestão ativa ou indexada (passiva) para todas as classes de ativos. O terceiro nível traz a estratégia específica do fundo. [1]

Nosso módulo de risco monitora diariamente, cerca de 14.437  fundos em seu banco de dados, o que permite a construção de um modelo robusto e preditivo auxiliando no cômputo da volatilidade projetada para cada cota de fundo e seus respectivos fatores de risco.

O modelo utilizado pela plataforma BRITech para calcular o risco de fundos é baseado não somente na volatilidade da cota dos fundos, mas também leva em conta fatores aos quais tais fundos estão expostos. Esse modelo permite que o risco dos fundos seja contemplado de forma mais ampla, uma vez que considera e combina a volatilidade das cotas de fundos com os retornos dos fatores aos quais esses fundos estão expostos. A volatilidade dos fundos é obtida através da série histórica dos seus retornos. Por sua vez, o retorno do fator é obtido através do retorno de uma carteira teórica composta por todos os fundos de uma mesma classificação distribuídos com pesos idênticos. Na composição da carteira teórica entram todos os fundos que possuem a mesma classificação. Cada fundo dessa carteira tem um determinado peso associado (utilizamos como critério de peso o valor de mercado de cada fundo) e a soma dos retornos de cada fundo resultam no retorno do fator considerado.

Na prática, a partir do SI-ANBID, todas as classificações de 1º nível (Renda Fixa, Cambial, Multimercados e Ações) são mapeadas como fatores e são constituídos pelos seus respectivos fundos. Através desses agrupamentos, são construídas carteiras teóricas compostas pelos fundos que pertencem àquela classificação, usando como critério de ponderação seus respectivos valores de mercado. Com base nessas informações e utilizando –se deste modelo de múltiplos fatores, Atlas Risk Hub calcula a volatilidade projetada e sensibilidades, onde cada fundo é exposto a diferentes fatores, de acordo com a sua classificação.

Vale destacar que, mesmo que um novo fundo seja adicionado ao banco de dados do sistema, ele possuirá um risco específico advindo do fator a que está atrelado. Isso mostra a importância do modelo multifatorial utilizado, que atribui risco a qualquer novo ativo ou fundo adicionado ao banco de dados. Outro ponto positivo, diz respeito à qualidade das informações. O Atlas Risk Hub possui inúmeros controles de qualidade, com o objetivo de monitorar nossas fontes de dados, assegurando que dados impuros ou pontos fora da curva sejam excluídos ou tratados internamente. Tais mecanismos fazem parte de nosso processo de dados, que se estende não apenas aos fundos de investimentos, mas a todos os instrumentos cobertos pelo banco de dados do Atlas Risk Hub. Esse processo é realizado diariamente, visando garantir a excelência nos dados disponibilizados a seus clientes.

No que tange aos reflexos da nova metodologia em relação à metodologia anterior, esperamos números mais alinhados à realidade permitindo mensurar com maior precisão volatilidade, VaR e demais métricas. Além disso, através dessa nova metodologia teremos um aumento em números de fundos monitorados permitindo melhorar a mensuração do risco e identificações dos principais fatores primitivos de risco.

*[1] Fonte: Classificação de Fundos: Visão geral e nova estrutura. ANBIMA 13/04/2015

Sobre o autor:

Robson Ramos

Formado em Ciências da Computação com especialização em Finanças pelo INSPER e Professional SCRUM Developer (PSD). Robson juntou-se a BRITech em 2015 com a aquisição da Cyrnel e é responsável pela área de risco e desenvolvimento do produto Atlas Risk Hub.

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