De acordo com o Boletim Econômico CVM – 4º tri 2025, o ano de 2025 consolidou forte atividade no mercado de capitais brasileiro, apesar de recuos pontuais em alguns instrumentos. O mercado regulado continua em expansão, com:
- Recordes ou altas relevantes em fundos de investimento, crowdfunding e certificados de recebíveis.
- Redução em FIPs e ações, que sofreram queda no volume emitido.
- Elevação relevante no apetite por risco, reflexo da valorização dos mercados acionários.
- Aumento do risco de mercado, impulsionado pela maior volatilidade em renda fixa e variável.
Destaques
- Mercado Primário
- Emissões totais em 2025:
R$ 980,9 bilhões (↓ 2,3% vs 2024) em 4.151 ofertas (↓ 373 vs 2024). - FIPs: maior queda do ano, R$ 40,3 bi vs R$ 82,4 bi em 2024.
- FIIs: forte alta, R$ 115,5 bi vs R$ 85,3 bi.
- Certificados de Recebíveis (CRI/CRA/CR): explodiram de R$ 12,6 bi para R$ 48,6 bi.
- Crowdfunding (RCVM 88):
- 861 ofertas (mais que o dobro de 2024)
- Captação de R$ 3,9 bi (triplo de 2024)
- Mercado Regulado
- Total estimado do mercado regulado: R$ 50,74 tri
- Ex-nocional derivativos: R$ 18,0 tri
- Indústria de fundos:
- Patrimônio: R$ 11,13 tri
- Crescimento: +15,34% vs 2024
- Participantes regulados:
- Crescimento de 3,36%, atingindo 92.818
- Destaque: consultores de valores mobiliários +27,3%
- Mercado Secundário
- Ações (lote padrão):
Volume médio diário caiu para R$ 18,6 bi (vs R$ 19,1 bi em 2024). - Debêntures:
Volume médio diário aumentou para R$ 3,0 bi. - Derivativos:
- Total anual negociado: 903,7 milhões de contratos (queda vs 2024).
- Todos os grandes produtos (DI, dólar, Ibovespa futuro) negociaram menos que no ano anterior.
- Retorno de Ativos em 2025(Principais performances acumuladas)
- BRL/Bitcoin: +86,6%
- Dólar PTAX: +11,7%
- Ouro: +13,5%
- IHFA: +13,2%
- IBOV: +11,2%
- IPCA: 4,3%
- Mapa de Riscos (T4/2025)
| Indicador | T3/2025 | T4/2025 | Movimento |
| Macro | 1.0 | 1.0 | Estável |
| Mercado | 1.5 | 1.8 | ↑ Aumento |
| Liquidez | 1.9 | 1.8 | Leve queda |
| Apetite por risco | 2.8 | 3.8 | ↑ Forte alta |
| Crédito | 2.0 | 2.0 | Estável |
O trimestre foi marcado por forte aumento do apetite por risco, impulsionado pela valorização dos índices de ações e múltiplos mais altos.
Ao mesmo tempo, houve aumento no risco de mercado devido à maior volatilidade.
- Risco Macro
- CDS soberano do Brasil manteve trajetória descendente, acompanhando outros emergentes.
- Cenário internacional benigno para risco.
- Liquidez
- Bid-ask spreads apresentaram estabilidade moderada.
- Fluxo estrangeiro para bolsa foi positivo no acumulado anual.
- Risco de Crédito
- Índice médio de probabilidade de default das empresas listadas permaneceu relativamente controlado.
CONCLUSÃO
O ano de 2025 foi de robusto dinamismo no mercado de capitais, com destaque para:
- Expansão do mercado regulado;
- Retomada do interesse por renda variável global e local;
- Avanço expressivo de instrumentos como FIIs e certificados de recebíveis;
- Diversificação por meio de crowdfunding;
- Ambiente de risco mais favorável ao investidor, mas com aumento de volatilidade.
