Private Markets em 2026: crescimento continua, mas a régua muda

Private Markets em 2026: crescimento continua, mas a régua muda

Private Markets em 2026: crescimento continua, mas a régua muda

Os mercados privados seguem em expansão global, mas o contexto em que esse crescimento acontece mudou de forma estrutural.

De acordo com o mais recente relatório da McKinsey & Company, os ativos sob gestão (AuM) em private markets ultrapassaram US$ 13 trilhões, praticamente dobrando na última década. Ainda assim, o ritmo de crescimento já não é o mesmo observado no ciclo anterior, e mais importante, a forma como esse capital é distribuído mudou.

Um dos sinais mais claros dessa transição está na captação. O volume global de fundraising caiu aproximadamente 22% em 2023, refletindo um ambiente mais restritivo. Ao mesmo tempo, houve um aumento relevante na concentração: uma parcela cada vez maior do capital está sendo direcionada para gestores já estabelecidos, com histórico comprovado.

Isso cria uma dinâmica que redefine o jogo competitivo:

o capital continua disponível, mas já não está acessível da mesma forma.

Gestoras que antes conseguiam levantar recursos com base em tese ou performance recente agora enfrentam um nível de diligência muito mais profundo, especialmente por parte de investidores institucionais.

 

Performance sob pressão: o alpha ficou mais difícil

Se a captação se tornou mais seletiva, a geração de retorno também se tornou mais complexa.

O relatório mostra que o volume de exits, elemento central para geração de retornos, sofreu uma retração significativa. Em 2023, o valor global de saídas caiu cerca de 30% a 40%, dependendo da classe de ativo, marcando um dos períodos mais fracos da última década.

Esse movimento está diretamente ligado a um ambiente macro mais desafiador: juros elevados, maior custo de capital e compressão de múltiplos impactaram tanto a originação quanto a saída de investimentos.

Na prática, isso alonga o ciclo de investimento e pressiona indicadores clássicos de performance, como IRR e DPI.

Além disso, o chamado “dry powder”, capital já comprometido, mas ainda não investido, atingiu níveis próximos a US$ 4 trilhões. Embora isso indique que há recursos disponíveis, também sinaliza um problema: existe mais capital competindo por menos oportunidades atrativas.

O resultado é um cenário em que o alpha depende menos de contexto favorável e muito mais de execução.

 

Mais capital, mais competição, e menos margem para erro

Esse excesso relativo de capital frente às oportunidades cria uma consequência direta: aumento da competição por ativos de qualidade.

Com mais gestores disputando os mesmos deals, os processos se tornam mais sofisticados, mais rápidos e mais exigentes. O diferencial deixa de estar apenas na capacidade de investir e passa a estar na capacidade de executar melhor, seja na originação, na estruturação ou na gestão ativa do portfólio.

Ao mesmo tempo, investidores estão mais atentos à dispersão de performance. O relatório indica que a diferença entre gestores de topo e a mediana continua relevante, o que reforça a tendência de concentração de capital nos melhores performers.

Ou seja: o mercado não está apenas mais competitivo, ele está mais desigual.

 

O crescimento da complexidade operacional

Enquanto o ambiente externo se torna mais desafiador, o interno também evolui, mas nem sempre na mesma velocidade.

O aumento da sofisticação das estratégias, a multiplicação de veículos (co-investments, secondaries, estruturas híbridas) e a atuação em múltiplas geografias elevam significativamente a complexidade operacional das gestoras.

Paralelamente, as exigências de investidores e reguladores também aumentaram. Reportes mais frequentes, maior nível de detalhamento e necessidade de transparência passaram a fazer parte do dia a dia da operação.

O efeito disso é claro: operar em private markets hoje exige mais estrutura do que há cinco anos, e muito mais do que há uma década.

Segundo o relatório da McKinsey & Company, os custos operacionais têm crescido de forma consistente, pressionando margens, especialmente em gestoras que ainda dependem de processos manuais ou sistemas fragmentados.

Esse é um ponto crítico, porque muitas organizações escalaram seus ativos, mas não sua infraestrutura.

 

Governança como novo critério de seleção

Nesse contexto, a governança deixa de ser um diferencial e passa a ser um critério básico de seleção.

Investidores institucionais estão cada vez mais focados na capacidade das gestoras de demonstrar controle, consistência e rastreabilidade. Isso inclui não apenas compliance regulatório, mas também a qualidade dos dados utilizados na gestão e no reporte.

A diligência sobre operações internas se intensificou. Hoje, não basta apresentar retorno, é necessário demonstrar como esse retorno é construído, monitorado e reportado.

Essa mudança desloca o eixo de avaliação:

confiança não é mais apenas financeiro, é operacional também.

Gestoras que não conseguem garantir consistência de informação entre áreas, clareza nos processos e transparência nos dados enfrentam dificuldades crescentes para captar e reter capital.

 

Tecnologia como infraestrutura, não mais como apenas suporte

Diante desse cenário, a tecnologia assume um novo papel.

O relatório reforça que as gestoras líderes estão investindo de forma mais agressiva em digitalização, automação e integração de dados. O objetivo não é apenas eficiência, mas escalabilidade.

Isso acontece porque a complexidade atual não é sustentável com estruturas baseadas em controles manuais.

Ambientes fragmentados, com múltiplas planilhas, sistemas não integrados e ausência de padronização, tendem a gerar:

  • inconsistência de dados
  • retrabalho operacional
  • dificuldade de auditoria
  • lentidão na tomada de decisão

Por outro lado, operações estruturadas sobre dados centralizados e processos automatizados conseguem absorver crescimento sem aumento proporcional de custo.

 

O ponto central: dados confiáveis como base de escala

No fundo, todas essas transformações convergem para um mesmo ponto: a qualidade do dado.

A necessidade de consolidar informações, garantir consistência e permitir rastreabilidade leva a um conceito que vem ganhando força no setor: o de Single Source of Truth (SSOT).

Em um ambiente onde decisões são cada vez mais rápidas e os investidores cada vez mais exigentes, operar com múltiplas versões da verdade se torna inviável.

A ausência de uma base única de dados gera problemas conhecidos:

relatórios divergentes, dificuldade de reconciliação, perda de confiança interna e aumento do risco operacional.

Por outro lado, quando a operação é estruturada sobre uma base única, governada e auditável, o ganho não é apenas operacional, é estratégico também.

A gestora passa a ter:

  • maior velocidade de resposta
  • maior confiabilidade nos reportes
  • melhor capacidade de análise
  • e uma base sólida para crescimento

 

Conclusão: o mercado cresce, mas seletivamente

Os dados do relatório da McKinsey & Company deixam claro que os private markets continuam sendo um dos principais vetores de crescimento da indústria financeira global.

Mas o ciclo mudou.

A combinação de captação mais seletiva, pressão por performance, aumento de custos e maior exigência por transparência cria um novo ambiente competitivo.

Nesse cenário, não é apenas o crescimento que diferencia as gestoras, é a forma como elas operam.

o mercado continua crescendo, mas está selecionando quem consegue crescer com consistência.

E, cada vez mais, essa seleção passa por três pilares:

governança, eficiência operacional e qualidade dos dados.

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