ETFs Ativos como Evolução Estrutural do Veículo de Investimento: Implicações para a Gestão de Liquidez e Resiliência do AUM

ETFs Ativos como Evolução Estrutural do Veículo de Investimento: Implicações para a Gestão de Liquidez e Resiliência do AUM

1. O contexto: liquidez, fluxos e vulnerabilidades estruturais 

A indústria de Asset Management opera hoje em um ambiente marcado por: 

  • Maior incerteza macroeconômica; 
  • Ciclos de fluxo mais rápidos; 
  • Aumento da negociação tática e da sensibilidade a performance de curto prazo; 
  • Maior interconectividade entre mercados e veículos de investimento. 

Nesse contexto, a forma como um fundo absorve resgates tornase tão relevante quanto a estratégia de investimento em si. 

Em fundos abertos tradicionais, o risco de liquidez é estruturalmente internalizado: resgates exigem geração de caixa no curto prazo, frequentemente por meio da venda de ativos no mercado secundário. Em períodos de estresse, esse modelo pode amplificar choques, deteriorar preços e criar efeitos adversos para cotistas remanescentes. 

 

2. Limitações do modelo tradicional de fundos abertos 

O mecanismo clássico de resgates em fundos abertos apresenta fragilidades bem documentadas: 

  • Vendas forçadas em momentos desfavoráveis; 
  • Impacto negativo de mercado (market impact); 
  • Aumento de custos de transação 
  • Potencial degradação de performance endógena; 

Importante destacar que essas fragilidades não decorrem da qualidade da gestão, mas da estrutura do veículo. Em cenários de stress sistêmico, o fundo tornase um tomador de liquidez justamente quando o mercado é menos capaz de fornecêla. 

Com o intuito de mitigar esses riscos, além dos mecanismos tradicionalmente utilizados no mercado brasileiro, como o fechamento do fundo para resgates, o pagamento de resgates em ativos (previsto no regulamento de diversos fundos) e a adoção de taxas de saída, a Resolução CVM 175, lançada em dezembro de 2022, modernizou o arcabouço normativo ao formalizar e detalhar novas ferramentas de gestão de liquidez. Entre esses mecanismos, ganham destaque o side pocket, que consiste na cisão da parcela ilíquida da carteira, e as barreiras ao resgate, conhecidas como gates, cuja função é estabelecer critérios específicos para restringir os pedidos de saída em momentos críticos, preservando a integridade do fundo e o tratamento equânime entre os cotistas. 

 

3. ETFs: uma arquitetura operacional distinta 

ETFs introduzem uma separação clara entre: 

  • Mercado Secundário, onde investidores negociam cotas entre si; 
  • Profundidade de mercado do ETF, onde Market Makers ajudam a fornecer liquidez; 
  • Mercado Primário, onde ocorre a criação e o resgate de cotas. 

O ajuste entre oferta e demanda é realizado por Participantes Autorizados (APs), que utilizam o mecanismo de criação e resgate inkind, trocando cotas do ETF por uma cesta de ativos subjacentes, o que evita a venda forçada de ativos e o impacto de mercado para os demais cotistas  

Nesse modelo: 

  • O fundo não precisa vender ativos para atender resgates; 
  • A liquidez é absorvida pelo mercado por meio dos APs; 
  • O portfólio do ETF permanece estruturalmente preservado. 

Essa característica desloca o risco de liquidez do nível do fundo para o nível do mercado, onde ele pode ser gerido de forma mais eficiente e distribuída. 

Já no modelo in-cash, a liquidação é feita diretamente em dinheiro e o gestor executa as ordens de compra ou venda para refletir a movimentação. 

 

4. A especificidade dos ETFs ativos 

A aplicação dessa estrutura a estratégias ativas é particularmente relevante. Avanços regulatórios e operacionais, como a utilização de cestas de criação e resgate customizadas, permitiram que ETFs ativos replicassem plenamente o mecanismo inkind, mesmo com portfólios mais dinâmicos. 

Do ponto de vista do gestor ativo, isso implica: 

  • Menor necessidade de ajustar o portfólio em resposta a fluxos de liquidez; 
  • Redução do risco de liquidação forçada de posições; 
  • Maior estabilidade operacional em períodos de saída de capital. 

 

5. Implicações para o risco de AUM 

A redução de AUM é um risco inerente a qualquer veículo aberto. No entanto, o aspecto crítico para a indústria não é apenas a perda de AUM, mas a forma como essa perda ocorre. 

ETFs ativos não eliminam a possibilidade de saídas de recursos, mas: 

  • Reduzem a probabilidade de efeitos adversos em cascata; 
  • Mitigam a degradação de performance causada por resgates. 

Esses pontos são centrais para compreender por que ETFs ativos tendem a apresentar maior resiliência estrutural frente a choques de fluxo quando comparados a fundos abertos tradicionais. 

 

6. Implicações sistêmicas para a indústria de Asset Management 

Sob uma ótica mais ampla, a adoção de ETFs ativos contribui para: 

  • Melhor alocação do risco de liquidez no sistema financeiro; 
  • Redução do risco de “fire sales” sincronizadas; 
  • Maior previsibilidade operacional para gestores; 
  • Maior alinhamento de interesses entre investidores. 

Esses fatores ajudam a explicar a crescente migração de estratégias ativas para o formato ETF e a expansão consistente do AUM nessa categoria globalmente. 

 

7. Olhar futuro e potencialidades 

ETFs ativos não devem ser vistos apenas como uma inovação de produto, mas como uma evolução estrutural do veículo de investimento. O mecanismo de resgates majoritariamente inkind altera de forma profunda a dinâmica de liquidez, reduz vulnerabilidades históricas dos fundos abertos e fortalece a resiliência da indústria frente a cenários adversos. 

Em um ambiente de maior volatilidade e fluxos mais rápidos, a arquitetura do veículo tornase um elemento central da gestão de risco. Sob esse prisma, os ETFs ativos oferecem vantagens estruturais claras e duradouras para o Asset Management moderno. 

 

8Estruturação e controle como forma de diferenciação 

Tanto na perspectiva do gestor como do cotista/investidor, o potencial de ganho deve ser observado em conjunto com temas operacionais, relatórios e avaliações de risco sistematicamente. Assim, sistemas e processos robustos e ágeis como os oferecidos pela Plataforma BRITech permitem: 

  • Acurácia na apuração dos custos transacionais; 
  • Acompanhamento intra day dos processos de liquidação; 
  • Monitoramento da carteira de ativos dos ETFs (underlying assets); 
  • Indicadores de riscos de liquidez e mercado; 
  • Relatórios multidimensionais para clientes de diversos portes; 
  • Comparação de resultados considerando-se custos operacionais e diferenciais tributários (exemplo dos ETFs de renda fixa). 

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